Presidente da Câmara de Vereadores de Itapema, Airton Justino da Silva Júnior, o “Júnior Andorinha”, fala sobre as necessidades do município, seus anseios e o momento político atual.
Vereador eleito pela primeira vez e exercendo atualmente a presidência da Câmara de Vereadores de Itapema, Airton Justino da Silva Júnior, mais conhecido como “Júnior Andorinha”, devido à empresa de seu pai (Imobiliária Andorinha, em Meia Praia), demonstra suas convicções políticas e seu desejo de ver uma Itapema melhor para todos.
Em entrevista exclusiva à Folha Evangélica, Júnior Andorinha faz um verdadeiro desabafo sobre várias questões, principalmente em relação à infra-estrutura municipal e o que espera para a cidade, como terceiro pólo turístico do Estado, numa demonstração de amadurecimento político:
Folha Evangélica: O presidente tem dito algumas vezes que Itapema tem “pontos vermelhos”. A que o senhor se refere especificamente?
Júnior Andorinha: É que, hoje, passados dois anos, acredito que todo mundo tem um sentimento de culpa, os secretários, os vereadores, o prefeito que passou, o prefeito que entrou... Acontece que, analisando por alto, no meu ponto de vista, se pegar o mapa de Itapema e ver o sentimento de culpa dos políticos, dos empresários e da comunidade, Itapema estaria toda vermelha, seria um mapa vermelho pelo sentimento geral de culpa de todos. A Justiça está tirando prefeito e pondo prefeito, e agora vem essa CPI, que não é uma coisa boa para ninguém, mas tem que se apurar os indícios. Então, os pontos vermelhos a que eu me refiro é o sentimento de culpa, pois sai um e entra outro, e as coisas mais prioritárias continuam sem solução.
Folha Evangélica: Como o vereador vê hoje as necessidades do município em relação à infra-estrutura e como deveria ser a visão do prefeito?
Júnior Andorinha: Com certeza absoluta, esquecer o passado. Porque, eu estou como vereador há dois anos e o Poder Público Municipal somente lembrando do Passado: Aquele prefeito fez isso, aquele outro fez aquilo, etc., e as coisas não acontecem. Nós temos que parar de falar do passado e trabalhar. Se houveram excessos no passado, levem na Justiça e pronto, vamos “olhar para frente” e tratar das necessidades mais urgentes do povo.
Vamos ver o que os bairros estão precisando, vamos reunir a comunidade e analisar os problemas. Vamos atacar os problemas mais emergenciais, sem politicagem, mas com respeito à sociedade. Se os outros não fizeram, vamos tentar fazer. O que os outros fizeram de bom, vamos deixar e procurar melhorar. A água era problema no passado. Agora o problema é essa cobrança do esgoto, que já foi falado na tribuna da Câmara. Acho que está na hora do atual governo deixar para a Justiça cuidar de eventuais problemas do passado e começar a olhar para a cidade, que está definhando. Não existe mais justificativa, pois agora o orçamento é desta administração e, passado é passado. O povo não quer saber do passado todo o dia, quer saber de obras e ações.
Então, no meu entendimento, nós temos que reunir as lideranças do município, as associações de bairros e entidades representativas da sociedade para elaborar um projeto macro para Itapema. Até mesmo aquelas lideranças que foram candidatos a vereador e não se elegeram, tem de ser ouvidos, pois são lideranças pontuais em sua comunidade, em sua base, e devem ser ouvidos como tal. Vamos respeitar todos.
Hoje, o meu comprometimento, não com o PT, mas com o prefeito, e que isso fique muito claro, é de ajudar Itapema independentemente de quem esteja lá. O prefeito sabe que tem coisas certas e coisa erradas, que estão aí para apurar. Eu não quero que Itapema fique para trás no desenvolvimento.
Folha Evangélica: Qual o seu sentimento, não como político, mas como cidadão em relação ao que deveria mudar imediatamente?
Júnior Andorinha: Meu sentimento de tristeza é em relação ao Turismo. Nos últimos anos e atualmente, nós não tivemos um Secretário de Turismo que fizesse frente a essa Secretaria. Na época que eu estava em campanha, sempre falei que nós deveríamos convidar para uma “mesa redonda” e sempre debater com essa pessoa, é o então presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – ABIH, o nosso amigo Luis Carlos Nunes: É uma pessoa muito importante para ajudar a pensar o turismo de Itapema.
Não digo que necessariamente ele tenha que ser o secretário, mas um conselheiro. Nós estamos com esse cidadão que é nota dez ou nota mil, e até hoje não o convidamos para a mesa, para discutirmos as ações de turismo de forma conjunta. Eu acredito que o caminho é esse: A união faz a força.
Então, o Turismo é um problema grave. Se nós tivéssemos investido não somente em pessoal, mas uma porcentagem maior dos recursos públicos para o Turismo, acredito que Itapema já estaria diferente, com planejamento de várias ações, inclusive infra-estrutura. Por exemplo, na minha opinião, essa ciclovia foi um erro da forma que está. Mas não podemos ficar esperando.
Folha Evangélica: Inclusive, fazer um planejamento a médio e longo prazo para o desenvolvimento do Turismo, independente de que está no poder...
Júnior Andorinha: Exatamente. Inclusive, precisamos da união de todos, empresários e comunidade, associações, entidades representativas e até mesmo a mídia local. Se for analisar friamente, a mídia local é muito importante, pois tem condições de levar o nome de Itapema. Vocês podem mostrar a nossa Itapema para milhares de pessoas, são vocês que preparam o material.
Nem mesmo os vereadores tem essa força. O vereador, na Câmara, pode falar, fiscalizar e reclamar. Mas a imprensa leva essas informações adiante para o público. Então, penso que podemos unir todos esses jornalistas para nos ajudarem a pensar em conjunto com a sociedade, porque vocês da imprensa, são peças fundamentais.
Lá na Bahia, o pessoal quando vai divulgar no exterior, o que eles fazem, levam duas baianas para dançar, levam o pessoal da capoeira, levam a mulher que faz o acarajé, etc. Nós também temos que valorizar a nossa terra, a nossa cultura e as nossas tradições. Vamos valorizar o folclore, o boi-de-mamão. Vamos valorizar o nosso artesanato. Quem sabe, agregando tudo nós possamos conseguir levantar o nosso turismo e melhorar a vida de nosso povo. Não adianta só show na Praça da Paz. Os shows são importantes sim, mas para os turistas que já estão aqui. Agora, temos que atrair ainda mais turistas, senão quisermos futuramente trazer shows para meia-dúzia de “gatos pingados”.
Tudo em Itapema depende das condições turísticas: A construção civil, por exemplo, que é a segunda maior empregadora de mão-de-obra do município, se não tiver um número adequado de turistas, não encontrará demanda na compra de apartamentos e, conseqüentemente, não irá construir tanto como agora. Se isto acontecer, infelizmente grande parte de nosso povo pode ficar sem emprego, e não é isso que nós queremos. Tem também as imobiliárias, que vendem e alugam imóveis, além das lojas, tanto na Avenida Nereu Ramos como na Segunda Avenida e nos shoppings: Tudo vive em função do turismo.
Folha Evangélica: Qual é a identidade turística de Itapema?
Júnior Andorinha: É complicado. Para se criar uma identidade, há que se ter infra-estrutura de atendimento da demanda. Podemos criar eventos, mas temos de ter a consciência das necessidades agregadas a esses eventos. Por exemplo, Itapema é uma cidade turística. Quando se pensa em turismo, o que é que vem à cabeça: Onde é que estão os hotéis? Não tem uma estrutura adequada de hotéis, mas, espera aí, qual é o incentivo para que o hoteleiro venha a se instalar em nossa cidade? Senão, vejamos: Na Meia Praia, que é o grande foco dos turistas hoje, quais são os hotéis que tem lá? Todo mundo lembra do Hotel Enseada, que está lá há vários anos. Quais os novos empreendimentos?
Então, isso chega a ser uma vergonha para Itapema, pois temos ótimos construtores na cidade, com obras que dá inveja a outras cidades, mas não se investe no ramo hoteleiro. Por quê? Porque faltam incentivos para que os empresários da cidade invistam no ramo hoteleiro e até mesmo, para a instalação de grupos de outras cidades e estados. Na minha modesta visão, veja bem, eu não sou o dono da verdade, apenas estou dando minha opinião e quero colaborar para que isto aconteça, nós deveríamos também incentivar a instalação de hotéis-fazenda, principalmente na região do Sertão do Trombudo, que é uma região maravilhosa para isso.
Tem áreas no Sertão boas para se fazer um hotel-fazenda que permite a visão do mar. Só que, se o investidor quiser fazer lá no Sertão um hotel-fazenda, ele não vai querer passar por uma estrada de chão empoeirada. É aí que entra aquela questão que eu falo da necessidade de infra-estrutura. E, ao falar disso, e vou deixar bem claro, não estou criticando este ou aquele que passou ou que está aí, mas falando a minha visão em relação às questões municipais. Acho que a infra-estrutura é primordial para se ter ou não sucesso em qualquer atividade ou empreendimento turístico, presente ou futuro para Itapema.
Se um investidor construir um belo hotel à beira mar, por exemplo, o incentivo também seria (assim como para todos os hoteleiros), a atração de eventos fora de temporada. No período de inverno, podemos ousar e buscar parcerias. E não é difícil. Eu, por exemplo, estive recentemente em São Paulo para ver um campeonato de Muay Thai (O Muay é também conhecido como Boxe Tailandês, é o esporte nacional da Tailândia. Esta Arte Marcial foi criada há mais de mil anos, e é considerada uma das mais poderosas lutas de contato do mundo), cujo nome é “Demolition Fight”.
O dono desse evento é um grande amigo meu e, para se ter uma idéia, para trazermos um evento como esse para Itapema, custaria cerca de cinqüenta mil reais. Mas, veja que a mídia envolvida compensa e muito, pois passo no Premier Combat, que é na Sportv, da SKY (TV por assinatura via satélite e cabo, para todo o Brasil e vários países do mundo). Se nós fizermos um evento como esse em Itapema, a equipe da televisão que cobre o evento vem à Itapema e grava o vídeo da cidade, juntamente com as lutas. Nós podemos fazer um evento como esse, por exemplo, na praça, aberto ao público e a Prefeitura poderia bancar pelo retorno de mídia. Mas por quê este evento de arte marcial? É um evento de repercussão internacional e barato para nós fazermos em Itapema e com excelente divulgação.
Nós poderíamos trazer outros eventos, como o Mundial de Mountain Bike, que Balneário fez recentemente. Mas, ao se promover um evento de arte marcial como o muay thai, com toda a mídia envolvida, eu gostaria de ver implantado nas escolas de Itapema também a arte marcial, principalmente porque ela ensina a disciplina, a tolerância e o respeito mútuo. Isto sem contar que estaremos dando um lazer às nossas crianças. Quando você é adepto da arte marcial, o mestre sempre ensina para autodefesa e nunca para agressão fortuita. Neste sentido, se o praticante de arte marcial tomar a iniciativa de agressão, o mestre o retira do aprendizado e ele já não treina mais.
Eu tenho um projeto em relação ao muay thai e sua implantação nas escolas. Mas eu sou arrojado neste sentido: Em vez de começarmos com a implantação nas escolas para depois trazermos o evento, acredito ser melhor iniciar com algo grande, trazendo o evento como demonstração para os pais e as crianças, para após iniciarmos sua implantação nas escolas. As crianças, os jovens, tem de ter a possibilidade de praticar esportes sadios incluindo a arte marcial, que vem agregada ao ensinamento do respeito mútuo. Nós estamos presenciando momentos tristes de violência atualmente e precisamos incutir na cabeça de nossos futuros cidadãos, o respeito mútuo, o respeito à hierarquia, aos pais, aos avós, aos irmãos, enfim, a toda sociedade. Precisamos resgatar os valores da família e dar atenção às necessidade de lazer das crianças e dos jovens para, como políticos, dar a nossa modesta parcela de colaboração na formação do caráter de nossos futuros cidadãos, os itapemenses do futuro.
Folha Evangélica: Hoje, qual sua visão em relação às opções de lazer para a juventude?
Júnior Andorinha: Está deficitário. Eu vejo que existem muitas coisas que são simples para fazer, mas que se tornam muito importantes para as crianças e jovens. Um exemplo disso foi a pista de skate que existia na Praça da Paz, onde muitos jovens se divertiam diariamente e até virou ponto de encontro da rapaziada. Na minha visão, e inclusive eu havia sugerido isto ao ex-prefeito Clóvis, seria a criação de um skate park. Eu tive a oportunidade de morar em San Diego, na Califórnia, e lá existem mais de vinte skate park, porque os cidadãos de seis a vinte anos podem praticar este esporte.
Outra ação simples, mas muito importante, foi a colocação das tabelas de basquete na Praça da Paz. Inclusive, demorou um pouco e os rapazes de procuravam pedindo a instalação de cestas mais simples. Só que eu queria a tabela própria para basquete de rua. Então avisei o pessoal para terem paciência pois a tabela que eu queria era oficial e custava cerca de cinco mil reais. Hoje estão lá, já fazem quase um ano e as tabelas estão servindo a comunidade, em todas as idades, pois sempre vejo pais jogarem com seus filhos.
Sejam tabelas de basquete ou pista de skate, são esportes que não são diferenciados, e, lá no Morretes, no Sertãozinho ou no São Paulinho, tem sim um terreno, uma área para fazer esse tipo de lazer, até porque muitos nesses bairros não têm a intimidade com o basquete, por exemplo, e nós temos que oportunizar isto para eles.
Folha Evangélica: Como vereador, qual sua visão sobre o planejamento do município, afinal, entra um prefeito e faz uma coisa, entra outro e desfaz o que foi feito e faz do seu jeito, etc.
Júnior Andorinha: É realmente complicado. Eu acredito que, como esse governo que está ai defenda as audiências públicas, isso tem um certo sentimento de valor. Mas, em contrapartida, nas audiências públicas deles praticamente só vem aqueles que são da “patota”. E eu entendo que quem não faz parte da “patota” seria o pessoal da imprensa, os empresários, líderes da comunidade, mesmo políticos que foram votados nas eleições mesmo que não tenham alcançado seu objetivo.
Eu sou uma pessoa jovem e, às vezes posso cometer deslizes, como todo mundo está sujeito. Ninguém é perfeito. Mas, eu sou um jovem que não sou “cabeça feita”: Estou aqui para aprender. Eu debato os assuntos com qualquer pessoa e, o que eu puder aprender eu vou aprender. Nestes minutos de entrevista, eu estou aprendendo alguma coisa. Eu sempre tenho a mente aberta para aprender com o próximo.
Então, eu parto do princípio de que nós deveríamos fazer uma audiência pública diferente e, até mesmo copiar os bons exemplos de outros municípios. Tem aquele ditado de que, “quem não cria, copia”. Só que, quem copia, melhora. Por exemplo, noite dessas, eu passeava com minha esposa em Balneário Camboriú, e vi um empreendimento de uma construtora com um mural de imagens da obra. Eu achei aquilo muito bonito e pensei em trazer essa idéia para nossa obra em Itapema e está lá feito, e é lindo. Quando eu comecei a fazer, outra construtora já começou a fazer e mais outra, e eu quero que todas façam porque é muito bonito.
Agora, analisemos do lado político: Por que nós não podemos copiar alguns exemplos de Balneário Camboriú, que é aquela potência? Vamos filtrar o que Balneário tem de bom. Balneário também tem problemas, mas vamos filtrar o que eles tem de bom e vamos copiar melhorando. Paralelamente a isso, vamos trabalhando em conjunto com a comunidade para criarmos novas soluções para o desenvolvimento de Itapema.
Mas, eu vejo que para isso acontecer, precisamos do empenho de todas as forças da sociedade. Por exemplo, se nós fizermos uma reunião para tratarmos de assuntos comuns, as entidades e associações não podem somente enviar representantes. Tem de se fazer presente com a diretoria, tem que se unir por Itapema. Porque, assim como todos nós temos uma parcela de responsabilidade com os destinos da cidade, todos nós temos uma parcela de culpa também quando não participamos e não sugerimos ou exigimos nada.
Vereador eleito pela primeira vez e exercendo atualmente a presidência da Câmara de Vereadores de Itapema, Airton Justino da Silva Júnior, mais conhecido como “Júnior Andorinha”, devido à empresa de seu pai (Imobiliária Andorinha, em Meia Praia), demonstra suas convicções políticas e seu desejo de ver uma Itapema melhor para todos.
Em entrevista exclusiva à Folha Evangélica, Júnior Andorinha faz um verdadeiro desabafo sobre várias questões, principalmente em relação à infra-estrutura municipal e o que espera para a cidade, como terceiro pólo turístico do Estado, numa demonstração de amadurecimento político:
Folha Evangélica: O presidente tem dito algumas vezes que Itapema tem “pontos vermelhos”. A que o senhor se refere especificamente?
Júnior Andorinha: É que, hoje, passados dois anos, acredito que todo mundo tem um sentimento de culpa, os secretários, os vereadores, o prefeito que passou, o prefeito que entrou... Acontece que, analisando por alto, no meu ponto de vista, se pegar o mapa de Itapema e ver o sentimento de culpa dos políticos, dos empresários e da comunidade, Itapema estaria toda vermelha, seria um mapa vermelho pelo sentimento geral de culpa de todos. A Justiça está tirando prefeito e pondo prefeito, e agora vem essa CPI, que não é uma coisa boa para ninguém, mas tem que se apurar os indícios. Então, os pontos vermelhos a que eu me refiro é o sentimento de culpa, pois sai um e entra outro, e as coisas mais prioritárias continuam sem solução.
Folha Evangélica: Como o vereador vê hoje as necessidades do município em relação à infra-estrutura e como deveria ser a visão do prefeito?
Júnior Andorinha: Com certeza absoluta, esquecer o passado. Porque, eu estou como vereador há dois anos e o Poder Público Municipal somente lembrando do Passado: Aquele prefeito fez isso, aquele outro fez aquilo, etc., e as coisas não acontecem. Nós temos que parar de falar do passado e trabalhar. Se houveram excessos no passado, levem na Justiça e pronto, vamos “olhar para frente” e tratar das necessidades mais urgentes do povo.
Vamos ver o que os bairros estão precisando, vamos reunir a comunidade e analisar os problemas. Vamos atacar os problemas mais emergenciais, sem politicagem, mas com respeito à sociedade. Se os outros não fizeram, vamos tentar fazer. O que os outros fizeram de bom, vamos deixar e procurar melhorar. A água era problema no passado. Agora o problema é essa cobrança do esgoto, que já foi falado na tribuna da Câmara. Acho que está na hora do atual governo deixar para a Justiça cuidar de eventuais problemas do passado e começar a olhar para a cidade, que está definhando. Não existe mais justificativa, pois agora o orçamento é desta administração e, passado é passado. O povo não quer saber do passado todo o dia, quer saber de obras e ações.
Então, no meu entendimento, nós temos que reunir as lideranças do município, as associações de bairros e entidades representativas da sociedade para elaborar um projeto macro para Itapema. Até mesmo aquelas lideranças que foram candidatos a vereador e não se elegeram, tem de ser ouvidos, pois são lideranças pontuais em sua comunidade, em sua base, e devem ser ouvidos como tal. Vamos respeitar todos.
Hoje, o meu comprometimento, não com o PT, mas com o prefeito, e que isso fique muito claro, é de ajudar Itapema independentemente de quem esteja lá. O prefeito sabe que tem coisas certas e coisa erradas, que estão aí para apurar. Eu não quero que Itapema fique para trás no desenvolvimento.
Folha Evangélica: Qual o seu sentimento, não como político, mas como cidadão em relação ao que deveria mudar imediatamente?
Júnior Andorinha: Meu sentimento de tristeza é em relação ao Turismo. Nos últimos anos e atualmente, nós não tivemos um Secretário de Turismo que fizesse frente a essa Secretaria. Na época que eu estava em campanha, sempre falei que nós deveríamos convidar para uma “mesa redonda” e sempre debater com essa pessoa, é o então presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – ABIH, o nosso amigo Luis Carlos Nunes: É uma pessoa muito importante para ajudar a pensar o turismo de Itapema.
Não digo que necessariamente ele tenha que ser o secretário, mas um conselheiro. Nós estamos com esse cidadão que é nota dez ou nota mil, e até hoje não o convidamos para a mesa, para discutirmos as ações de turismo de forma conjunta. Eu acredito que o caminho é esse: A união faz a força.
Então, o Turismo é um problema grave. Se nós tivéssemos investido não somente em pessoal, mas uma porcentagem maior dos recursos públicos para o Turismo, acredito que Itapema já estaria diferente, com planejamento de várias ações, inclusive infra-estrutura. Por exemplo, na minha opinião, essa ciclovia foi um erro da forma que está. Mas não podemos ficar esperando.
Folha Evangélica: Inclusive, fazer um planejamento a médio e longo prazo para o desenvolvimento do Turismo, independente de que está no poder...
Júnior Andorinha: Exatamente. Inclusive, precisamos da união de todos, empresários e comunidade, associações, entidades representativas e até mesmo a mídia local. Se for analisar friamente, a mídia local é muito importante, pois tem condições de levar o nome de Itapema. Vocês podem mostrar a nossa Itapema para milhares de pessoas, são vocês que preparam o material.
Nem mesmo os vereadores tem essa força. O vereador, na Câmara, pode falar, fiscalizar e reclamar. Mas a imprensa leva essas informações adiante para o público. Então, penso que podemos unir todos esses jornalistas para nos ajudarem a pensar em conjunto com a sociedade, porque vocês da imprensa, são peças fundamentais.
Lá na Bahia, o pessoal quando vai divulgar no exterior, o que eles fazem, levam duas baianas para dançar, levam o pessoal da capoeira, levam a mulher que faz o acarajé, etc. Nós também temos que valorizar a nossa terra, a nossa cultura e as nossas tradições. Vamos valorizar o folclore, o boi-de-mamão. Vamos valorizar o nosso artesanato. Quem sabe, agregando tudo nós possamos conseguir levantar o nosso turismo e melhorar a vida de nosso povo. Não adianta só show na Praça da Paz. Os shows são importantes sim, mas para os turistas que já estão aqui. Agora, temos que atrair ainda mais turistas, senão quisermos futuramente trazer shows para meia-dúzia de “gatos pingados”.
Tudo em Itapema depende das condições turísticas: A construção civil, por exemplo, que é a segunda maior empregadora de mão-de-obra do município, se não tiver um número adequado de turistas, não encontrará demanda na compra de apartamentos e, conseqüentemente, não irá construir tanto como agora. Se isto acontecer, infelizmente grande parte de nosso povo pode ficar sem emprego, e não é isso que nós queremos. Tem também as imobiliárias, que vendem e alugam imóveis, além das lojas, tanto na Avenida Nereu Ramos como na Segunda Avenida e nos shoppings: Tudo vive em função do turismo.
Folha Evangélica: Qual é a identidade turística de Itapema?
Júnior Andorinha: É complicado. Para se criar uma identidade, há que se ter infra-estrutura de atendimento da demanda. Podemos criar eventos, mas temos de ter a consciência das necessidades agregadas a esses eventos. Por exemplo, Itapema é uma cidade turística. Quando se pensa em turismo, o que é que vem à cabeça: Onde é que estão os hotéis? Não tem uma estrutura adequada de hotéis, mas, espera aí, qual é o incentivo para que o hoteleiro venha a se instalar em nossa cidade? Senão, vejamos: Na Meia Praia, que é o grande foco dos turistas hoje, quais são os hotéis que tem lá? Todo mundo lembra do Hotel Enseada, que está lá há vários anos. Quais os novos empreendimentos?
Então, isso chega a ser uma vergonha para Itapema, pois temos ótimos construtores na cidade, com obras que dá inveja a outras cidades, mas não se investe no ramo hoteleiro. Por quê? Porque faltam incentivos para que os empresários da cidade invistam no ramo hoteleiro e até mesmo, para a instalação de grupos de outras cidades e estados. Na minha modesta visão, veja bem, eu não sou o dono da verdade, apenas estou dando minha opinião e quero colaborar para que isto aconteça, nós deveríamos também incentivar a instalação de hotéis-fazenda, principalmente na região do Sertão do Trombudo, que é uma região maravilhosa para isso.
Tem áreas no Sertão boas para se fazer um hotel-fazenda que permite a visão do mar. Só que, se o investidor quiser fazer lá no Sertão um hotel-fazenda, ele não vai querer passar por uma estrada de chão empoeirada. É aí que entra aquela questão que eu falo da necessidade de infra-estrutura. E, ao falar disso, e vou deixar bem claro, não estou criticando este ou aquele que passou ou que está aí, mas falando a minha visão em relação às questões municipais. Acho que a infra-estrutura é primordial para se ter ou não sucesso em qualquer atividade ou empreendimento turístico, presente ou futuro para Itapema.
Se um investidor construir um belo hotel à beira mar, por exemplo, o incentivo também seria (assim como para todos os hoteleiros), a atração de eventos fora de temporada. No período de inverno, podemos ousar e buscar parcerias. E não é difícil. Eu, por exemplo, estive recentemente em São Paulo para ver um campeonato de Muay Thai (O Muay é também conhecido como Boxe Tailandês, é o esporte nacional da Tailândia. Esta Arte Marcial foi criada há mais de mil anos, e é considerada uma das mais poderosas lutas de contato do mundo), cujo nome é “Demolition Fight”.
O dono desse evento é um grande amigo meu e, para se ter uma idéia, para trazermos um evento como esse para Itapema, custaria cerca de cinqüenta mil reais. Mas, veja que a mídia envolvida compensa e muito, pois passo no Premier Combat, que é na Sportv, da SKY (TV por assinatura via satélite e cabo, para todo o Brasil e vários países do mundo). Se nós fizermos um evento como esse em Itapema, a equipe da televisão que cobre o evento vem à Itapema e grava o vídeo da cidade, juntamente com as lutas. Nós podemos fazer um evento como esse, por exemplo, na praça, aberto ao público e a Prefeitura poderia bancar pelo retorno de mídia. Mas por quê este evento de arte marcial? É um evento de repercussão internacional e barato para nós fazermos em Itapema e com excelente divulgação.
Nós poderíamos trazer outros eventos, como o Mundial de Mountain Bike, que Balneário fez recentemente. Mas, ao se promover um evento de arte marcial como o muay thai, com toda a mídia envolvida, eu gostaria de ver implantado nas escolas de Itapema também a arte marcial, principalmente porque ela ensina a disciplina, a tolerância e o respeito mútuo. Isto sem contar que estaremos dando um lazer às nossas crianças. Quando você é adepto da arte marcial, o mestre sempre ensina para autodefesa e nunca para agressão fortuita. Neste sentido, se o praticante de arte marcial tomar a iniciativa de agressão, o mestre o retira do aprendizado e ele já não treina mais.
Eu tenho um projeto em relação ao muay thai e sua implantação nas escolas. Mas eu sou arrojado neste sentido: Em vez de começarmos com a implantação nas escolas para depois trazermos o evento, acredito ser melhor iniciar com algo grande, trazendo o evento como demonstração para os pais e as crianças, para após iniciarmos sua implantação nas escolas. As crianças, os jovens, tem de ter a possibilidade de praticar esportes sadios incluindo a arte marcial, que vem agregada ao ensinamento do respeito mútuo. Nós estamos presenciando momentos tristes de violência atualmente e precisamos incutir na cabeça de nossos futuros cidadãos, o respeito mútuo, o respeito à hierarquia, aos pais, aos avós, aos irmãos, enfim, a toda sociedade. Precisamos resgatar os valores da família e dar atenção às necessidade de lazer das crianças e dos jovens para, como políticos, dar a nossa modesta parcela de colaboração na formação do caráter de nossos futuros cidadãos, os itapemenses do futuro.
Folha Evangélica: Hoje, qual sua visão em relação às opções de lazer para a juventude?
Júnior Andorinha: Está deficitário. Eu vejo que existem muitas coisas que são simples para fazer, mas que se tornam muito importantes para as crianças e jovens. Um exemplo disso foi a pista de skate que existia na Praça da Paz, onde muitos jovens se divertiam diariamente e até virou ponto de encontro da rapaziada. Na minha visão, e inclusive eu havia sugerido isto ao ex-prefeito Clóvis, seria a criação de um skate park. Eu tive a oportunidade de morar em San Diego, na Califórnia, e lá existem mais de vinte skate park, porque os cidadãos de seis a vinte anos podem praticar este esporte.
Outra ação simples, mas muito importante, foi a colocação das tabelas de basquete na Praça da Paz. Inclusive, demorou um pouco e os rapazes de procuravam pedindo a instalação de cestas mais simples. Só que eu queria a tabela própria para basquete de rua. Então avisei o pessoal para terem paciência pois a tabela que eu queria era oficial e custava cerca de cinco mil reais. Hoje estão lá, já fazem quase um ano e as tabelas estão servindo a comunidade, em todas as idades, pois sempre vejo pais jogarem com seus filhos.
Sejam tabelas de basquete ou pista de skate, são esportes que não são diferenciados, e, lá no Morretes, no Sertãozinho ou no São Paulinho, tem sim um terreno, uma área para fazer esse tipo de lazer, até porque muitos nesses bairros não têm a intimidade com o basquete, por exemplo, e nós temos que oportunizar isto para eles.
Folha Evangélica: Como vereador, qual sua visão sobre o planejamento do município, afinal, entra um prefeito e faz uma coisa, entra outro e desfaz o que foi feito e faz do seu jeito, etc.
Júnior Andorinha: É realmente complicado. Eu acredito que, como esse governo que está ai defenda as audiências públicas, isso tem um certo sentimento de valor. Mas, em contrapartida, nas audiências públicas deles praticamente só vem aqueles que são da “patota”. E eu entendo que quem não faz parte da “patota” seria o pessoal da imprensa, os empresários, líderes da comunidade, mesmo políticos que foram votados nas eleições mesmo que não tenham alcançado seu objetivo.
Eu sou uma pessoa jovem e, às vezes posso cometer deslizes, como todo mundo está sujeito. Ninguém é perfeito. Mas, eu sou um jovem que não sou “cabeça feita”: Estou aqui para aprender. Eu debato os assuntos com qualquer pessoa e, o que eu puder aprender eu vou aprender. Nestes minutos de entrevista, eu estou aprendendo alguma coisa. Eu sempre tenho a mente aberta para aprender com o próximo.
Então, eu parto do princípio de que nós deveríamos fazer uma audiência pública diferente e, até mesmo copiar os bons exemplos de outros municípios. Tem aquele ditado de que, “quem não cria, copia”. Só que, quem copia, melhora. Por exemplo, noite dessas, eu passeava com minha esposa em Balneário Camboriú, e vi um empreendimento de uma construtora com um mural de imagens da obra. Eu achei aquilo muito bonito e pensei em trazer essa idéia para nossa obra em Itapema e está lá feito, e é lindo. Quando eu comecei a fazer, outra construtora já começou a fazer e mais outra, e eu quero que todas façam porque é muito bonito.
Agora, analisemos do lado político: Por que nós não podemos copiar alguns exemplos de Balneário Camboriú, que é aquela potência? Vamos filtrar o que Balneário tem de bom. Balneário também tem problemas, mas vamos filtrar o que eles tem de bom e vamos copiar melhorando. Paralelamente a isso, vamos trabalhando em conjunto com a comunidade para criarmos novas soluções para o desenvolvimento de Itapema.
Mas, eu vejo que para isso acontecer, precisamos do empenho de todas as forças da sociedade. Por exemplo, se nós fizermos uma reunião para tratarmos de assuntos comuns, as entidades e associações não podem somente enviar representantes. Tem de se fazer presente com a diretoria, tem que se unir por Itapema. Porque, assim como todos nós temos uma parcela de responsabilidade com os destinos da cidade, todos nós temos uma parcela de culpa também quando não participamos e não sugerimos ou exigimos nada.
No comments:
Post a Comment