André Moysés Gaio, mestre em ciência política e doutor em história social, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, manda instigante trabalho cujo título resume tudo: "O Estado delinqüente". A intenção de Gaio, para resumir mais do que deveria, em razão do espaço, é "apresentar a noção de Estado delinqüente para explicar uma modalidade de crime que conta com a iniciativa e a liderança de agentes públicos".
Ou, posto de outra forma, não é que os agentes públicos se corrompam facilmente no Brasil. É pior: eles tomam a iniciativa, lideram o saque aos bens públicos. Acrescentaria, por minha conta e risco, outro detalhe: cada vez mais aparecem implicados agentes públicos graduados. Para ficar só nos escândalos mais recentes:
1 - Não é mais o recrutazinho que vende um fuzil para o narcotráfico. É um coronel envolvido em desvio de verbas.
2 - Não é mais um juiz de segunda instância implicado em falcatruas. É o chefe do Poder Judiciário (caso de Rondônia).
3 - Não é mais um vereador do fim do mundo. É a cúpula do Poder Legislativo (em Rondônia, mas também no Parlamento federal, com os casos João Paulo Cunha e Severino Cavalcanti). Para não falar nas centenas de parlamentares federais apanhados como "mensaleiros" e "sanguessugas".
4 - Não é mais o policial da esquina subornado para evitar uma multa. É um delegado que fica rico e seus colegas nem percebem ou fingem que não percebem.
5 - Não é mais o policial federal comum que entra para o crime. São dois ex-superintendentes da PF.
O corolário inevitável do teorema traçado por Gaio é simples: qualquer solução para o pântano brasileira passa, inexoravelmente, por resgatar o Estado das mão dos delinqüentes. Fácil de falar, quase impossível de fazer.
Ou, posto de outra forma, não é que os agentes públicos se corrompam facilmente no Brasil. É pior: eles tomam a iniciativa, lideram o saque aos bens públicos. Acrescentaria, por minha conta e risco, outro detalhe: cada vez mais aparecem implicados agentes públicos graduados. Para ficar só nos escândalos mais recentes:
1 - Não é mais o recrutazinho que vende um fuzil para o narcotráfico. É um coronel envolvido em desvio de verbas.
2 - Não é mais um juiz de segunda instância implicado em falcatruas. É o chefe do Poder Judiciário (caso de Rondônia).
3 - Não é mais um vereador do fim do mundo. É a cúpula do Poder Legislativo (em Rondônia, mas também no Parlamento federal, com os casos João Paulo Cunha e Severino Cavalcanti). Para não falar nas centenas de parlamentares federais apanhados como "mensaleiros" e "sanguessugas".
4 - Não é mais o policial da esquina subornado para evitar uma multa. É um delegado que fica rico e seus colegas nem percebem ou fingem que não percebem.
5 - Não é mais o policial federal comum que entra para o crime. São dois ex-superintendentes da PF.
O corolário inevitável do teorema traçado por Gaio é simples: qualquer solução para o pântano brasileira passa, inexoravelmente, por resgatar o Estado das mão dos delinqüentes. Fácil de falar, quase impossível de fazer.
Clóvis Rossi
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